sábado, maio 21, 2005

O segundo dia para eles!

Como não podia deixar de ser, não abandonámos Valença, sem primeiro dar uma volta pela cidade fortificada. Alguns participantes ainda não conheciam esta pérola do património histórico nacional e seria imperdoável não aproveitar esta oportunidade. Do alto das muralhas avistámos Espanha e percorremos com o olhar, muitos Kms da direcção que iríamos tomar. Rapidamente alcançámos a ponte metálica sobre o Rio Minho e entrámos em Espanha em ambiente que deixava adivinhar grande festa. A policia tinha cortado algumas ruas, que no entanto não incomodaram os ciclistas. Ao passarmos na zona monumental da Catedral de Tui, fomos brindados com uma chuva de arroz...um grupo de pessoas estavam à espera que os noivos saíssem da igreja e quem acabou por levar com o arroz fomos nós... Segui-se um lindo trilho que passa na Ponte das Febres ou de San Telmo, onde o santo adoeceu na sua peregrinação a Compostela. A passagem por Porriño não teve história para o primeiro grupo, enquanto que o segundo grupo (nesse dia fomos divididos em dois grupos) passou por uma loja de bicicletas para tentar reparar uma avaria na bicicleta de um dos participantes, acabando por perder muito tempo. Curiosamente esse participante foi um dos azarados da etapa...a poucos metros da chegada partiu a corrente e acabou a etapa a ser empurrado. Com o tempo perdido na loja das bicicletas, este grupo acabou por almoçar em Porriño. O primeiro grupo almoçou em Redondela, no principal jardim da cidade (muito mal frequentado, diga-se de passagem). Momento grande desta etapa é sem dúvida a passagem por Arcade e pela histórica ponte Sampaio, onde o povo derrotou o Mariscal Ney durante a guerra da independência. Logo depois da ponte, a subida por entre ruelas muito estreitas e íngremes ficou na memória de todos. Poucas centenas metros depois, uma velha ponte em ruínas foi também motivo de paragem. Um longo trilho com muitas e grandes pedras obrigou toda a gente a esforço suplementar. No entanto, a beleza do local fez esquecer as dificuldades. Este mesmo caminho foi percorrido pelo exército de Almanzor, que arrasou Compostela. O bom piso que se seguiu permitiu rolar a bom ritmo até ao albergue de Pontevedra, onde deu para o primeiro grupo descansar sob um sol acolhedor e ao som da música de Quim Barreiros, que saía de um acampamento cigano ali perto. O segundo grupo chegou cerca de duas horas depois. Vinham cansados, mas com muitas histórias para contar... O albergue estava com muitos peregrinos e então optámos por não dormir nas camaratas, mas sim nos colchões que foram espalhados no chão de uma sala contígua à das camaratas. Antes de dormir, ainda deu para um pequeno passeio pedestre pela cidade.

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