quinta-feira, maio 26, 2005

As regras dos Trilhos

Dado que vamos andar vários dias seguidos em trilhos partilhados por dezenas de pessoas, é conveniente tomar em atanção as regras que existem sobre a utilização dos mesmos. Regras dos Trilhos 1. Ande sempre no trilho. 2. Não deixe marcas da sua passagem. 3. Mantenha sua bicicleta sob controle. 4. Preste atenção em quem vem atrás e ceda sempre passagem. 5. Tenha cuidado com o meio ambiente e não assuste os animais. 6. Faça um bom planeamento.

domingo, maio 22, 2005

Terceiro dia.... A chegada a Santiago

O dia começou por volta das 7 da manhã com uma concerto de telemóveis a despertar. A ideia era começar cedo para chegarmos cedo. A primeira surpresa do dia não se fez esperar: Uma chuva miudinha e persistente saudou os peregrinos durante os primeiros Kms. Dizem que uma peregrinação sem chuva não é abençoada...foi por este lados que a Rainha Santa Isabel de Portugal andou descalça na sua peregrinação. Apesar da chuva, a temperatura era agradável. Rapidamente alcançamos Caldas de Reis e avançámos em direcção a um dos trilhos mais espectaculares desta viagem: Uma grande descida em single track ao longo de um bosque frondoso e muito bonito. Um verdadeiro regalo para todos os sentidos. Passámos Pontecesures (Rio Ulla), onde andaram barcos Vikings, e entrámos em Padrón, que nos reservou outra surpresa. À nossa espera estava a enorme feira local, que nos obrigou a fazer mais de 1 Km a pé, por entre milhares de pessoas e uma infinidade de tendas e bancas de feira. O almoço foi junto ao albergue desta cidade. Já com sol, saímos de Padrón para a última etapa. A emoção da chegada a Santiago começava a fazer-se sentir em alguns peregrinos. O caminho era fácil e a progressão rápida. Passámos na bela aldeia de Angueira de Suso e voltámos a percorrer alguns trilhos de terra. Já perto de Santiago tivemos que vencer algumas subidas. Foi o caso da subida para do Agro de Monteiros, de onde já se viam as torres da Catedral. Voltámos a descer, finalmente uma derradeira e íngreme subida foi a última dificuldade, antes de entrar na Cidade. Fizemos o agrupamento de todos os peregrinos, numa esplanada já dentro de Santiago. Percorremos a pé as ruas que ladeiam a zona da Catedral e o momento em que entrámos no grande largo da Catedral de Santiago foi inesquecível. Tínhamos conseguido! A imponência da Catedral e todo o ambiente que a rodeava vai ficar para sempre na memória de todos. Chegou a altura de juntarmos as bicicletas para tirarmos a fotografia de família. Uma passagem pela Oficina do Peregrino, para receber a indispensável "Compostellae", documento comprovativa de termos cumprido a peregrinação. Ainda houve tempo para uma breve visita à catedral, antes de irmos tomar o indispensável banho ao Seminário Menor, que também funciona como Albergue de peregrinos. Estavam lá peregrinos de várias países da Europa. Tinha chegado o momento de regresso. Viagem aproveitada para relembrar e partilhar as muitas aventuras e histórias vividas durante esta peregrinação. Mal tínhamos saído de Santiago e já havia quem estivesse com saudades dos trilhos.....

sábado, maio 21, 2005

O segundo dia para eles!

Como não podia deixar de ser, não abandonámos Valença, sem primeiro dar uma volta pela cidade fortificada. Alguns participantes ainda não conheciam esta pérola do património histórico nacional e seria imperdoável não aproveitar esta oportunidade. Do alto das muralhas avistámos Espanha e percorremos com o olhar, muitos Kms da direcção que iríamos tomar. Rapidamente alcançámos a ponte metálica sobre o Rio Minho e entrámos em Espanha em ambiente que deixava adivinhar grande festa. A policia tinha cortado algumas ruas, que no entanto não incomodaram os ciclistas. Ao passarmos na zona monumental da Catedral de Tui, fomos brindados com uma chuva de arroz...um grupo de pessoas estavam à espera que os noivos saíssem da igreja e quem acabou por levar com o arroz fomos nós... Segui-se um lindo trilho que passa na Ponte das Febres ou de San Telmo, onde o santo adoeceu na sua peregrinação a Compostela. A passagem por Porriño não teve história para o primeiro grupo, enquanto que o segundo grupo (nesse dia fomos divididos em dois grupos) passou por uma loja de bicicletas para tentar reparar uma avaria na bicicleta de um dos participantes, acabando por perder muito tempo. Curiosamente esse participante foi um dos azarados da etapa...a poucos metros da chegada partiu a corrente e acabou a etapa a ser empurrado. Com o tempo perdido na loja das bicicletas, este grupo acabou por almoçar em Porriño. O primeiro grupo almoçou em Redondela, no principal jardim da cidade (muito mal frequentado, diga-se de passagem). Momento grande desta etapa é sem dúvida a passagem por Arcade e pela histórica ponte Sampaio, onde o povo derrotou o Mariscal Ney durante a guerra da independência. Logo depois da ponte, a subida por entre ruelas muito estreitas e íngremes ficou na memória de todos. Poucas centenas metros depois, uma velha ponte em ruínas foi também motivo de paragem. Um longo trilho com muitas e grandes pedras obrigou toda a gente a esforço suplementar. No entanto, a beleza do local fez esquecer as dificuldades. Este mesmo caminho foi percorrido pelo exército de Almanzor, que arrasou Compostela. O bom piso que se seguiu permitiu rolar a bom ritmo até ao albergue de Pontevedra, onde deu para o primeiro grupo descansar sob um sol acolhedor e ao som da música de Quim Barreiros, que saía de um acampamento cigano ali perto. O segundo grupo chegou cerca de duas horas depois. Vinham cansados, mas com muitas histórias para contar... O albergue estava com muitos peregrinos e então optámos por não dormir nas camaratas, mas sim nos colchões que foram espalhados no chão de uma sala contígua à das camaratas. Antes de dormir, ainda deu para um pequeno passeio pedestre pela cidade.

quinta-feira, maio 19, 2005

Pessoal ..... temos uma desistência

Estas coisas acontecem a quem tem uma agenda hiper preenchida e por via disso mesmo não vamos poder contar com o nosso massagista. Nesse fim de semana tem uns afazeres profissionais que o impedem de pedalar connosco. Estará em espirito com certeza.......

quarta-feira, maio 18, 2005

Motivação

Já lá vai o dia em que recebi um mail do Ricas a dar-me conhecimento desta iniciativa de Santiago. Aliás, já vinha de trás um certo interesse que sempre fora manifestado em conversa amena de café onde se mandam três patacoadas para o ar e apenas uma fica registada. Mas esta... esta ficou-me no ouvido logo à primeira. E como nestas coisas comigo é logo tudo à bruta eu digo logo que tou lá. Ou seja, o espírito... tenho... e o reumático também!
Agora tou inscrito e lá vou eu... pensei, reflecti... e decidi... vou!
Isto faz-me falar do motivo por que eu comprei a bicicleta. Por amizade! Achei que era o meio mais fácil de voltar a aproximar-me de um amigo e não vou de modas e comprei uma bicicleta de 100 contos depois de ter devolvido uma ao carrefour. Comigo é assim, tudo à bruta! Já pareço o Alex!!
E agora ando na fase de preparação... tem que ser. Ainda anteontem fui dar uma voltinha de 30km, 1:44:00, 17,3Km/h média... Casa, Bicesse, Alcoitão, Pisão, Malveira, Lagoa Azul, Alcabideche, Bicesse e casa... puxadinho... mas bom! Agora tenho que ir experimentar a volta aconselhada pelo poita incontactável para mais um teste. À partida será amanhã que até estala!
Aproveito para deixar aqui a minha palavra de apoio aos Sportinguistas que acabaram de ver um sonho perdido e felicitar os Portistas pela conquista do campeonato!
Abraços

O Primeiro dia de alguem que já fez isto antes de nós......

Barcelos - Valença O dia começou fresco. Muitas nuvens e algum nevoeiro afastaram o receio de termos que enfrentar um dia quente na etapa mais dura da peregrinação. Apesar de ser a etapa mais dura, foi também a mais espectacular, com trilhos para todos os gostos e do melhor que se pode fazer em BTT. Partimos de Barcelos divididos em 3 grupos. Os "TGV" grupo constituído por atletas ávidos da velocidade e das descargas de adrenalina. O grupo das "Power Girls", onde iam todas as participantes femininas e aqueles com preparação física intermédia. Este grupo era guiado pela Marta e pela Bete. Finalmente partiu o grupo da "Brigada do Reumático", constituído por todos aqueles que acreditavam ser os mais fracos fisicamente. A verdade é que durante esta etapa, as surpresas foram muitas e quem acabou por chegar primeiro a Valença foi precisamente o grupo dos "reumáticos". O segredo esteve em manter o ritmo moderado, mas constante e parar o menos possível. De Barcelos a Ponte de Lima percorremos alguns trilhos interessantes e fizemos muitos Kms em calceta tradicional portuguesa, que provoca muitas vibrações na bicicleta e em consequência algum cansaço extra nos ciclistas. O grupo dos "TGV" foi obrigado a parar muitas vezes, vítimas dos muitos furos, o que os atrasou irremediavelmente. Ponte de Lima, foi o local de paragem para o Almoço. Junto ao rio, num grande relvado retemperámos as forças com sandes, panados e fruta. Daqui em diante o percurso foi ficando cada vez mais espectacular e também com muitas dificuldades. A subida perto da Sra do Socorro, até à casa do guarda, obrigou alguns participantes a um esforço considerável e até algum sacrifício. Mas, a descida fantástica que se seguiu, fez esquecer todas as dificuldades. Paragem obrigatória em S. Bento da Porta Aberta para retemperar forças num café e segui-se o troço mais espectacular da etapa. Os 16 Kms - quase sempre a descer - que ligam S. Bento a Valença foram vividos em êxtase, pela maior parte dos participantes. Pelo meio ficaram muitas travessias de rios e riachos, por pontes medievais e passagem por paisagens onde os campos de milho eram reis e senhores. Já perto de Valença passámos por um grande grupo de peregrinos a pé, que saudámos efusivamente. Segui-se a passagem pelo hotel e o jantar animadíssimo num restaurante local. No final ainda houve disposição para alguns peregrinos passarem um bom pedaço em amena cavaqueira numa esplanada perto do hotel. A etapa mais difícil, estava vencida e a satisfação de a ter cumprido era geral.

terça-feira, maio 17, 2005

Santiago essa atracção

Não imagino o que é que dentro de cada um de nós nos faz ser peregrinos. Peregrino, aquele que anda em peregrinação a locais santos ou simplesmente viaja por longes terras. Independentemente da nossa convicção todos somos peregrinos. Não é facil responder a estas perguntas o que é certo é que em determinada altura somos chamados a esta romaria. Por mais perto ou longe, por mais fácil ou dificl, estabelecemos o objectivo e é ao seu alcance que vamos. Esta é também uma das razões de viver, conquistar uma memória para mais tarde relembrar, sozinho, com estranhos ou amigos de longa data. Cada imagem, sorriso, esforço vão ficar fotografadas para sempre na nossa memória. É por esta razão que vos convido a registar aqui o diário de uma jornada unica para cada um de nós! Ricas